Orgulhar-se talvez não seja causa, mas consequência do que somos e, principalmente, de como somos...
Exemplos para pensar não nos faltam, como o uso do discurso do 'orgulho gay' por Carlos Apolinário (vereador de São Paulo pelo Democratas) como fonte de inspiração para a proposta de um dia do 'orgulho hétero'. Situação condicionada à argumentos bastante semelhantes aos que geraram represálias quanto a utilização da expressão '100% negro'.
O ponto mais delicado expõe uma briga, devido a suposta supervalorização de um grupo, em relação a outro. O orgulho alimenta o ego, trazendo a elevação de um nível de superioridade sobre os conflitos pessoais. E daí para a confusão há um passo, que pode ofuscar e distorcer o desejo de igualdade, maior alvo do interesse das minorias oprimidas em sua liberdade de manifestação.
Essa conclusão, aliás, não se baseia em conhecimentos científicos, mas na observação particular de condutas adotadas inconscientemente, durante a luta árdua contra o preconceito.
No dia 28 de Junho é comemorado o Dia Internacional do Orgulho LGBT. Uma data marcada no calendário e esquecida na consciência da sociedade, pouco atenta às diversas formas de diversidade humana. O individualismo da pessoas, entre outras coisas, dificulta a relação entre os vários exemplos de orgulho colocados em campos opostos a muito tempo. Ou como justificar o argumento de um político conservador, como o Deputado Federal pelo Partido Progressista carioca, Jair Bolsonaro, sobre a possibilidade de não se poder ter orgulho de ser hétero, em um futuro com mais direitos aos gays?
Da forma como vem sendo exposto, o orgulho vira uma arma, por vezes sustentada em esteriótipos, contra as necessidades de defesa, enquanto a conscientização torna-se uma opção, mais bem pensada e discutida, de conciliar nossas semelhanças e particularidades, sem que um acabe sendo mais importante, em relação ao outro. Em resumo, um modo de valorizar a diversidade todos os dias e não só em datas específicas.
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