terça-feira, 12 de junho de 2012

Coisas da Parada


Nem só de Parada vive a semana do orgulho LGBT; sua importância requer cuidados e respeito a outros eventos

Fotos: Ricardo Borges
A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo pode ser uma das maiores do mundo, pode ocasionar uma intensa movimentação turística e financeira, também pode garantir plena visibilidade para a causa gay, ao menos uma vez por ano, e pode ser uma festa irresistível de se participar. Porém, não há como identificar uma certa crise de identidade nesse evento tão importante.

Sua magnitude, preservada há 16 anos, sequer alcançou grandes conquistas políticas, além de continuar fazendo parte do calendário efetivo de eventos paulistanos e ter o direito de continuar desfilando pela Avenida Paulista - um endereço de importância econômica e política  bastante significativa para a maior cidade do país. Essa consequência deve-se, entre outras coisas, ao seu caráter extremamente festivo. Que o digam os críticos!

Foi exatamente por se assumir como uma verdadeira festa que as edições do evento deixaram de se chamar "Passeata". Algo que chega a destoar dos discursos políticos e inclusivos entoados, ora ou outra, entre as batidas eletrônicas dos trios. Isso, porque estamos falando de um assunto sério: usamos festa para tentar fomentar uma discussão a cerca da diversidade.

E como em toda boa festa popular, a Parada Gay também padece com furtos, vendas de bebidas alcoólicas suspeitas e tumultos devido a aglomeração. Fica até difícil imaginar como milhares ou, por vezes, milhões de fuliões (entre gays, héteros, travestis, bissexuais e etc) conseguem se movimentar. Mas como a Parada não fica parada, em diversos momentos, empurrar é preciso.

Atrás do Trio da Parada: muita cor, muita dança, muita gente.

Uma série de eventos são realizados durante a semana da Parada LGBT, mas ela é eleita a mais importante entre eles. O formato da Feira Cultural LGBT, no entanto, chama muita atenção. Os visitantes ficam mais próximos de ONGs que atuam em prol da comunidade, conhecem produtos e empresas interessadas em atendê-los, não correm risco de se perder dos amigos e assistem shows que não roubam a cena do propósito político. Eis aí um opção interessante com muito para acrescentar, se for devidamente valorizada.

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