Não faltam exemplos de que falar na luta pela diversidade não é falar apenas no bem da comunidade gay.
Como caracterizar a ideia de que a questão da homofobia refere-se apenas a uma minoria? Como um erro. Tamanha força do preconceito nos faz crer que esta preocupação é exclusiva dos homossexuais. Mas os primeiros a se deparerem com este equivoco serão os homens que não têm preocupação em expressar seus sentimentos.
Para muitos conservadores, incapazes de enxergar além dos esteriótipos, um silêncio, uma postura mais comedida diante de uma mulher bonita, um gesto de delicadeza ou afetividade maior é sinal claro de uma presença gay. Uma falta de familiaridade nítida, por parte do masculino, com essas manifestações, o que pode acarretar em erros dolorosos.
O caso do espancamento de pai e filho, em uma cidade do interior paulista, devido ao fato deles andarem abraçados, ganhou destaque nos jornais. Eles foram confundidos com um casal gay. O pai teve parte de uma das orelhas decepada. Outro caso bem mais comum é o de homens que viram motivo de piada por abraçar e beijar amigos que, para eles, são como irmãos.
São dois exemplos efetivos, ao ponto de nos levar a questionar até que ponto o problema "dos outros" pode se tornar o "nosso problema". É como deixar uma brincadeira, aparentemente banal, se tornar em uma marca na pele ou na orelha de alguém nunca antes comovido com a causa gay.
A violência entre pai e filho ocorrida em Julho de 2011 já caiu no esquecimento, tanto na memória dos heterossexuais quanto na memória dos gays. A oportunidade de elevar o grau das discussões, então, não teria sido sustentada nem pelos mais interessados? Ao que parece, eles concordam com a maioria hétero, ao encarar a luta contra a homofobia como um problema apenas deles.
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