O macho tira proveito de uma condição que já o beneficia, há tempos, enquanto o feminino ainda procura conquistar seus privilégios
Muitas das discussões referentes à diversidade humana esbarram em um mesmo tema, sustentado e arrastado por milhares de anos: o machismo. Ele sempre estabeleceu uma prioridade suprema ao masculino, submetendo o feminino à condição de inferioridade.
Um homem não se deixa derrotar por outro homem, não demonstra fragilidade física ou mental, não chora e não deita para outro homem (seja na cama, ou em qualquer outro lugar). Quanto ao feminino? Este é característico de um sexo frágil, então nem se cogita colocá-lo em pé de igualdade com eles. A mulher, então, terá o seu espaço, as suas tarefas e os seus desejos devidamente estabelecidos de acordo com os interesses masculinos.
E o homem que ousar demonstrar alguma tendência, aparente ou não, às particularidades femininas, deverá ser rebaixado ao nível delas. Teríamos, aqui, chegado ao ponto de entender porque a amizade entre gays e mulheres é tão frequênte? O fato é que ambos são vítimas de um mesmo mal.
O machismo é um mal que, como outros mecanismos, colaborou na construção de regras sociais para o "bom" entendimento da função de cada indivíduo. O machismo é um mal milenar, tão recorrente em nosso cotidiano ao ponto de fazer parte de nossas escolhas, de nossas posturas e de nossas piadas.
Hoje em dia, a moda é rir do que está no nosso dia-dia. Por isso, a gente ri, acreditando (cada vez, mais) no machismo que conduz as nossas discussões acerca do preconceito, chegando ao ponto de nos fazer sujeitos de seus próprios defeitos. Que o digam as mais afetas, condenadas, achincalhadas também em seu reduto.
Somados ao machismo, também estão o individualismo e a ambição de uma parcela poderosa em manter suas influências. Nada que desqualifique a naturalidade explícita de ser diferente, apesar das tentativas em provar o contrário. Por mais marcante que seja o discurso machista, as experiências femininas já comprovaram serem suportáveis, as dores da realidade. Então, como acreditar que, para ser forte, é preciso ser muito macho? Responder esta pergunta de forma errada pode custar muitas vitórias na luta em nome do respeito.
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